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Estádios

San Paolo: Aqui reinou Maradona!

2015/11/19 11:38
Texto por João Pedro Silveira
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San Paolo é um dos palcos emblemáticos do futebol italiano. Casa do Napoli, palco onde a arte de Diego Armando Maradona atingiu o zénite da sua carreira. 

A ligação da cidade - e do seu clube - com o estádio é rara em comparação com outras cidades e clubes de Itália. O Olímpico de Roma e o San Siro podem ser maiores em dimensão, o Dell'Alpi e agora o Nuovo Stadio da Juventus podem celebrar mais títulos, mas nenhum estádio italiano tem uma ligação tão umbilical com o coração dos habitantes da sua cidade. Ir a Nápoles e não sentir o pulsar de San Paolo é tão grave como ir a Roma e não ver o Papa...

A ligação direta ao divino

Uma lenda conta que foi precisamente em Nápoles, algures entre Fuorigrotta e Pozzuoli que São Paulo (1) de Tarso desembarcou quando chegou a Itália. Seria perto de onde se encontra o atual estádio que o apóstolo iniciou a sua caminhada pela Via Ápia com destino a Roma, «a cabeça do Mundo», onde, tal como São Pedro, provavelmente perdeu a vida. 

Se bem que São Paulo não seja o padroeiro da cidade, essa honra pertence a São Januário, localmente conhecido como San Gennaro, a devoção dos napolitanos ao apóstolo convertido na estrada para Damasco é enorme e sempre foi. A ligação de Paulo de Tarso à cidade do Vesúvio remonta a essa lenda, mas já a antes havia uma ligação direta do divino ao coração napolitano.

Virgílio, o grande poeta latino, viveu em Nápoles e lá escreveu a célebre Eneida. A sua suposta tumba, a Crypta Neapolitana, encontra-se na Piedigrotta, bem na entrada do famoso túnel construído durante o reinado de Augusto, que liga a atual Mergelina a Fuorigrotta.

A galeria de túneis escavada no século I a.e.C. sob a colina de Posillipo ligava a Nápoles romana a Puteoli e foi uma das maiores obras de engenharia do Império Romano. De um lado da entrada ficava a Piedigrotta, do outro a Fuorigrotta, do latim "fuoris crypta", fora da gruta (caverna).

Seria do lado de fora que teria lugar o desembarque de São Paulo, seria também nessa zona que Virgílio se inspiraria para escrever a «Eneida», e seria lá que colocaria o desembarque de Eneias depois da Guerra de Troia, em Cumae (2), bem perto do Lago Averno, onde ficava a suposta entrada do Inferno.

Das margens do lago à Piazzale Vincenzo Tecchio, onde se encontra o Estádio de San Paolo, distam cerca de dez quilómetros. Na boca dos adeptos napolitanos, não é difícil encontrar quem defenda que essa é a distância exata entre o céu e o inferno.

Um estádio para a cidade

Durante séculos esta parte da cidade, distante do centro, era iminentemente rural e assim seria até ao século XX. A chegada do comboio, a linha ferroviária de Cumana, a proximidade da estação de caminhos-de-ferro na Mergellina que ligava a cidade ao norte por Pozzuoli, tudo isso transformou a zona, mas a verdadeira transformação só chegou com a verdadeira revolução que o governo de Mussolini provocou na zona, com a quase completa demolição e posterior reconstrução de Fuorigrotta, para que Nápoles recebesse a "Mostra Triennale delle terre italiane d'Oltremare". (3)

Mas seria só bem depois da Segunda Guerra Mundial que começou a construção do edifício mais icónico de Fuorigrotta, o então Stadio del Sole (4), mais tarde rebatizado de San Paolo, para homenagear a tradição do desembarque do Apóstolo em Fuorigrotta.

Até então, o Napoli jogara primeiro no Estádio Ascarelli, que recebera jogos do Mundial de 1934 e mais tarde no Stadio Collana, que seria a casa dos azuis celestes até 1959.

Nesse ano nasceu o novo estádio, que inicialmente era suposto ter só um anel, mas acabou para receber um segundo, detendo uma lotação de 87,500 espetadores aquando da inauguração, no dia 6 de dezembro. No ano seguinte receberia alguns dos jogos preliminares do torneio olímpico de futebol das Olimpíadas de Roma.

Com pista de atletismo e iluminação, o estádio tornou-se um dos principais recintos desportivos do país e um orgulho dos napolitanos.

San Paolo seria escolhido para receber jogos durante o Euro 1980, recebendo o jogo de atribuição do terceiro lugar, entre a Itália e a Checoslováquia.

A «casa argentina»

Dez anos mais tarde seria palco do Mundial de 1990. A Argentina de Maradona, estrela maior do Nápoles, teve sede no San Paolo, e lá bateu a URSS e empatou com a Roménia garantindo um lugar na segunda fase, apesar da derrota com os Camarões no primeiro jogo em Milão.

Como vencedores do grupo da Argentina, os africanos ganharam o direito de jogar em Nápoles e seria numa tarde de sol no San Paolo, que os leões indomáveis liderados por Roger Milla bateram a Colômbia, com o célebre roubo de bola de Milla ao colombiano Higuita.

Nos quartos-de-final, um épico Inglaterra x Camarões (3x2) ficou na memória dos apaixonados do futebol, mas seria a meia-final entre a Argentina e a Itália que mexeria com o imaginário do adepto comum, em particular o italiano.

Antes da partida Maradona pedira aos napolitanos que o apoiassem, e muitos acreditavam que os adeptos napolitanos iam trair a sua Itália, mas na hora da verdade, o seu coração falou mais alto e o apoio foi incondicional à Squadra Azzurra. Nas bancadas podia-se ler "Diego, Napoli ti ama ma l'Italia è la nostra patria" ou "Diego nei cuori, Italia nei cori". Os napolitanos tinham o seu ídolo no coração e San Paolo foi o único estádio que a Argentina visitou durante a competição onde o hino nacional argentino não foi assobiado.

A Itália atacou e jogou mais, mas a Argentina aguentou e venceu nas grandes penalidades, acabando com o sonho transalpino do tetracampeonato. Por ironia do destino, coube a Diego marcar o penálti decisivo. 

Problemas e polémicas

As obras de requalificação do San Paolo para o mundial provocaram acirrada polémica na cidade. A construção de uma cobertura para a bancada, obrigou à remoção do placard eletrónico, obrigando também a mexer na estrutura dos anéis do estádio. 

No exterior, toda a zona envolvente foi alterada, retirando-se o piso que lá se encontrava desde a Exposição do Ultramar. O novo piso rapidamente se deteriorou, provocando constantes quedas e tornando-se muito perigoso para quem se desloca ao estádio.

Em 2001, durante uma grande tempestade que assolou a região de Nápoles, o estádio ficou inundado com as águas pluviais que desciam das encostas circundantes. San Paolo encontra-se no ponto mais baixo da Fuorigrotta, e todas as alterações efetuadas na topografia local tornaram o San Paolo no destino das enxurradas. 

As constantes inundações, a antiguidade da estrutura e a proximidade do mar e dos seu ventos húmidos, detriorou o estádio de tal forma que teve de ser encerrado durante um ano, obrigando o Napoli a jogar em casa emprestada durante uma época. Ao mesmo tempo, as autoridades municipais propunham a alteração do nome, batizando-o como Stadio San Paolo - Diego Armando Maradona, o que provocou grande comoção entre os adeptos, mas em particular nos fiéis, tendo o Arcebispo de Nápoles declarado publicamente a oposição da igreja católica à alteração do nome.

Nos anos que se seguiram o estádio sofreu alterações constantes, recebendo um novo relvado em 2010, para substituir o antigo, plantado em 1987. No ano seguinte, depois do Napoli se qualificar para a Champions, San Paolo sofreu nova remodelação, para estar habilitado a receber jogos da mais importante competição da UEFA.

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(1) San Paolo em italiano.
(2) Cuma em italiano, cidade fundada por colonos gregos de Eubeia no século VIII a.e.C..
(3) Mostra Trienal das terras italianas do Ultramar (Líbia, Eritreia, Somália e das Ilhas Gregas do Egéu).
(4) Estádio do Sol.

Stadio San Paolo is a stadium in the western suburb of Fuorigrotta in Naples, Italy, and is the third largest football stadium in Italy after the San Siro and Stadio Olimpico. For the 1960 Summer Olympics in Rome, it hosted the football preliminaries. It is currently used mostly for football matches and is the home of Napoli. The stadium was built in 1959 and underwent extensive renovations in 1989 for the 1990 World Cup. The present capacity of the San Paolo is 60,240.
 
The stadium is probably most famous for hosting the 1990 World Cup semi-final between Italy and Argentina. Considered to be the most intriguing match of that World Cup, Diego Maradona asked for the Napoli fans to cheer for Argentina. The Napoli tifosi responded by hanging a flag in their "curva" of the stadium saying "Maradona, Naples loves you, but Italy is our homeland".[1] It was touching for Maradona as Napoli was the only stadium during that World Cup that the Argentinian national anthem was not jeered. The match finished 1–1 after extra time. A penalty shoot out ensued with Maradona fittingly scoring the winning penalty for Argentina.
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Estádio
Stadio San Paolo
Lotação60240
Medidas110x68
Inauguração1959