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Clubes

Santos

2013/04/13 21:43
Texto por João Pedro Silveira
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Fazendo jus ao nome, a história do Santos FC está ligada a diversos santos. A ligação entre as etapas marcantes da vida do clube e a hagiologia remonta ao primeiro jogo, disputado numa véspera de São João. Curiosamente, o calendário litúrgico não reserva nenhum santo para o dia 14 de abril, data da fundação do clube.

Todavia, o mais importante dos dias no calendário santista será por certo aquele que é devotado a «Santo Edson Arantes do Nascimento», também lembrado como «São Pelé», que naquele histórico 7 de setembro de 1956 começou a mudar a história do clube e do país, jogando o primeiro jogo oficial com a camisola alvinegra do «Peixe».

Apenas uma coincidência? Importante ou não? Talvez não seja despiciente lembrar que o 7 de setembro é também o dia em que o Brasil festeja a independência. Nesse dia, a caminho de São Paulo, vindo precisamente de Santos, D. Pedro parou no Riacho de Ipiranga, recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, submetendo-se ao rei e às Cortes. Constrangido pelas circunstâncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase «Independência ou Morte!», rompendo os laços políticos com Portugal

Bem antes da estreia de Pelé, já o Santos tinha tomado o gosto por tropeçar nas datas históricas, como tão bem poderá confirmar nas linhas que se seguem...

O berço do futebol brasileiro

A 18 de fevereiro de 1894 um jovem anglo-brasileiro aportava a Santos, depois de ter passado anos a estudar na Inglaterra, para onde tinha sido enviado pelos pais quando contava apenas dez anos.

Ninguém podia imaginar que nesse dia quente do verão brasileiro, naquela bagagem que baixava no porto santista, aportava a terras brasileiras uma das maiores paixões da história do Brasil. Pois na sua bagagem, Miller trazia duas bolas usadas de futebol, uma bomba para encher as bolas, um par de chuteiras, alguns equipamentos usados e um livro com as regras do jogo que aprendera a jogar. Uma revolução estava a começar e o Brasil nunca mais seria o mesmo...
 
Santos marcava assim o começo da ligação do Brasil ao «jogo do povo», ligação essa que sairia reforçada a 14 de abril de 1912, quando por iniciativa de Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior, três apaixonados pelo desporto, convocaram uma assembleia com o propósito de fundar um novo clube. 
 
O «Peixe» e o Titanic
 
A reunião teve lugar na sede do Clube Concórdia na Rua do Rosário - atual Avenida João Pessoa -, e Concórdia foi um dos nomes que esteve em cima da mesa, até que a proposta de Edmundo Jorge Araújo levou a melhor e o novo clube foi batizado como Foot-ball Clube. Pela sua experiência, Sizino Patuska, que já tinha participado na fundação de outros dois clubes, tornou-se o primeiro presidente do clube, eleito pelos seus pares.
 
Algumas horas passadas, ainda nessa noite, bem longe das águas plácidas de Santos, o navio transatlântico Titanic, embatia com um iceberg, afundando nas frias águas do Atlântico Norte, provocando a morte de 1523 pessoas, numa das maiores tragédias do século XX.
 
Vários adeptos do , clube ligado ao mar e que tem um peixe por símbolo, associam esta tragédia marítima ao nascimento do clube. Como se na ordem natural das coisas, o mundo ganhasse um novo titã para substituir outro que se perdia. Coincidência ou não, nesse mesmo 14 de abril também passavam 17 anos do primeiro jogo de futebol disputado no Brasil... Definitivamente, o Santos nascia com pedigree histórico...
 
Primeiros passos
 
O primeiro jogo contra o Thereza Team, teve lugar na véspera de São João, com os então ainda não alvinegros a vencerem a partida por 2x1. Nessa noite, os santistas puderam participar nas festas juninas, celebrando também a auspiciosa vitória da estreia.
 
Bom prenúncio, seria também o primeiro jogo oficial, a 15 de setembro com a vitória (3x2) sobre os vizinhos do AC. Para a história ficou Arnaldo Silveira, autor do primeiro golo oficial do «Peixe». 
 
Em 1913, ano em que foi desenhado o primeiro emblema do clube, o conquistou o seu primeiro troféu, o Campeonato Santista, vencido de forma invicta, garantindo assim o direito de disputar o Campeonato Paulista no ano seguinte. 
 
Contudo, as viagens constantes à capital estadual e a falta de dinheiro, obrigaram o clube a abandonar a competição, vencendo apenas um jogo na competição, curiosamente em casa de um futuro rival, o Corinthians (3x6).
 
Anos de crescimento
 
Só em 1916 é que voltaria a participar no Paulista, iniciando um longo período de presenças consecutivas na competição. As primeiras campanhas meritórias chegariam em 1928 e 1929, com os santistas a atingirem o vice-campeonato, feito repetido em 1931.
 
Dois anos volvidos, durante um x São Paulo, a rivalidade entre os dois clubes atingia nova dimensão. Os paulistas resolveram apelidar os santistas de «peixeiros», esperando assim humilha-los com a associação. Mas o tiro passou ao lado e a torcida santista assumiu orgulhosamente a sua ligação ao mar, adotando a alcunha. Nascia o «Peixe»!
 
A glória chegaria dois anos depois, a 17 de novembro de 1935, quando o venceu o Corinthians no Parque São Jorge por 0x2, fazendo a festa na casa do rival, tornando-se assim no primeiro campeão estadual a não ser proveniente da capital.
 
Era Pelé
 
Durante vinte anos, o «Peixe» voltou a andar longe das conquistas, quebrando o jejum em 1955, numa equipa onde pontificavam Zito, Ramiro, Vasconcelos e Formiga. Um ano depois, ano de bicampeonato, chegava à Vila Belmiro um menino de quinze anos, que iria mudar para sempre a história do clube, elevando a sua condição, para se tornar num dos maiores clubes do mundo. O seu nome era Edson Arantes do Nascimento, mas todos o conheciam por Pelé . 
 
Entre 1956 e 1974, o Santos venceu seis Campeonatos do Brasil - incluindo um impressionante «penta» entra 1961 e 1965 -, duas Libertadores, duas Taças Intercontinental, quatro Taças Rio-São Paulo e ainda dez Campeonatos Paulista, além de dezenas de outros pequenos troféus e torneios.
 
Depois de conquistar a hegemonia no futebol de São Paulo e do Brasil, o lançou à conquista da América, enfrentando os uruguaios do Peñarol em 1962, clube que havia conquistado as duas primeiras edições da Libertadores. Sem Pelé, o foi a Montevideu bater o adversário por 1x2, com dois golos de Coutinho, para ser surpreendido em casa, uma semana depois, perdendo com os uruguaios por 2x3.
 
Os regulamentos da época não incluíam a regra do desempate pelos golos fora, obrigando a um terceiro jogo, disputado no Monumental de Buenos Aires, onde já com Pelé no «onze», o Peixe não deu hipóteses ao adversário, vencendo por 3x0, com um golo de Caetano e dois do «Rei».
 
Os «Santásticos»: Libertadores e Intercontinentais
 
Na sequência da vitória na Libertadores, a 19 de setembro, em jogo a contar para a primeira mão da Taça Intercontinental, o recebia os portugueses do Benfica, Campeões Europeus em título, vencendo por 3x2, com dois golos de Pelé e um de Coutinho. O resultado era curto, mas não deixava de ser vitória...
 
A 11 de outubro, na segunda mão em Lisboa, o enfrentava um Estádio da Luz, cheio de adeptos eufóricos que esperavam ver o Benfica conquistar a competição. O tinha pela frente uma das mais difíceis missões de todo o seu historial. A imprensa duvidava, os adeptos temiam e alguns jogadores não estavam muito confiantes. Porém, Pelé estava sorridente e prometia aos colegas a vitória...
 
O jogo começou com o a pegar na bola, comandado por um Pelé absolutamente inspirado. Os benfiquistas viam as camisolas brancas cruzarem o campo com trocas de bola, como que enfeitiçando com o seu futebol. Pelé abriu o marcador ao décimo quinto minuto, bisando dez minutos depois...
 
No segundo tempo a Luz foi abaixo com mais um golo de Coutinho. Seguiu-se o 0x4, novamente por Pelé e por fim Pepe fazia o 0x5. Os lisboetas incrédulos, ainda viram Eusébio e Santana reduzir para 2x5, mas já não havia mais nada a fazer. O acabara de dar uma lição de futebol ao Campeão da Europa, reclamando com inteira justiça o cetro.
 
Um ano depois seriam o Boca Juniors (na Libertadores) e AC Milan (na Intercontinental) a sentir a força de Pelé e companhia. O era bicampeão da América e bicampeão do Mundo, um feito até então sem paralelo no futebol! 
 
Para a história ficava uma equipa sem igual. De tal forma brilhante e dominadora, a equipa santista tornou-se numa referência mundial, com os elogios a chegarem dos quatro cantos do planeta.
 
Tal era a qualidade do conjunto de jogadores, que a imprensa brasileira, com humor à mistura, os apelidava de «Santásticos». Primeiro com Lula, depois sob as ordens de Antoninho, craques como Gilmar, Mauro, Mengálvio, Coutinho, Pepe e Pelé, elevaram o futebol a uma forma de arte, tornando-se um símbolo do «Joga Bonito».
 
O topo do mundo
 
Santos e Pelé tornaram-se sinónimos. O clube passou a dedicar-se e a viver só quase das inúmeras tournées que ia realizando à volta do globo. Da América do Norte à Europa, passando pelos vizinhos da América Latina.
 
Contudo, a mais marcante das digressões terá passado por África, quando o passou pela Nigéria e após um jogo contra as «super águias» aceitou marcar um segundo jogo para a região ocidental do país, que se encontrava em estado de guerra permanente entre as tropas governamentais e os rebeldes do Biafra. 
 
Após a notícia do se deslocar a essa zona, acordou-se um "armistício" que tornou possível a realização do amigável entre os brasileiros e a seleção do Centro-Oeste Benin - não confundir com a República do Benim. O jogo não estava agendado e o deu ainda um Salto a Moçambique - então colónia portuguesa - para bater a seleção de Lourenço Marques - hoje Maputo - por duas bolas a sério, voando então de volta à Nigéria, onde bateu a seleção do Centro-Oeste Benin por 2x0.
 
Para a memória futura, ficou o dia em que o interrompeu uma Guerra e um dos conflitos mais fratricidas do século XX, que provocou aproximadamente um milhão e trezentos mil mortos em menos de três anos, parou, para que uns e outros, pudessem juntos a assistir a um jogo da equipa de Pelé. 
 
E depois do Adeus
 
Pelé saiu em 1974, em busca do «el dorado» da liga norte-americana e é seguro dizer que a partir dessa data o nunca mais seria o mesmo. Já três anos antes, Athiê Jorge Coury, deixara a presidência do clube, preconizando o fim de uma era. 
 
Ao título estadual de 1973 - ainda com Pelé -, seguiu-se mais um em 1978 e ainda mais outro em 1984. Mas as conquistas iam sendo conquistadas «a conta gotas», cada vez mais espaçadas no tempo, com o clube a atravessar a maior crise desportiva da sua história. Órfão de Pelé e dos sucessos, o afundara-se em contratações sem sentido, construindo equipas sem a qualidade dos velhos tempos. De cofres vazios, à crise desportiva somava-se a financeira, com as diversas direções a serem incapazes de inverter a situação. 
 
Forçado a fazer a travessia do deserto, sem dinheiro, o clube perdeu o Spa Park, um investimento onde gastara o «dinheiro que tinha e não tinha», acabando por se ver obrigado a fazer valer o que de mais valioso realmente tinha, aquelas «onze» camisolas brancas que provocavam paixões na sua cada vez maior e dedicada massa adepta. Vila Belmiro continuava cheia, com milhares de alvinegros a fazerem romaria ao seu templo sagrado, jogo após jogo...
 
Em tempos de crise, a família santista reuniu-se ao lado do clube, ajudando na longa e dedicada recuperação. Após anos de longo interregno, o «Peixe» conquistou a Copa Rio-São Paulo em 1997, provocando uma genuína explosão de alegria entre a sua «torcida».
 
«Os meninos da Vila»
 
A conquista da Taça CONMEBOL em 1998, trouxe o «Peixe» de regresso às grandes conquistas. A nova presidência tentou trazer um novo fôlego ao futebol santista, contratando craques com nome feito como Rincón, Marcelinho Carioca, Edmundo, Márcio , Carlos Germano, Valdo e Galván, mas os resultados não surgiram.
 
O sucesso só voltaria com a prata da casa, os «meninos da Vila», um conjunto de jovens, de onde se destacavam Diego e Robinho. Com os títulos de Campeão do Brasil em 2002 e 2004, o Santos igualou o Palmeiras como o clube brasileiro com mais título nacionais (oito).
 
A segunda encarnação dos «santásticos» 

A 7 de março de 2009, o Estádio Pacaembu em São Paulo, presenciou a estreia de mais um «menino» que mudou a história do «Peixe». Ainda para mais um «menino» que levava o nome do clube no bilhete de identidade: Neymar da Silva Júnior, que profeticamente se estreou no dia devotado a Santa Perpétua e a Santa Felicidade. 
 
Neymar conduziria a nova geração ao sucesso. Felipe;Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Wesley, Arouca e Ganso; Neymar, André, e o repatriado Robinho, formavam a base da equipa que em 2010 conquistou a Copa do Brasil e um ano depois a Libertadores, reconquistando o troféu que já escapava ao «Peixe» desde 1962.
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Estádio
Urbano Caldeira (Vila Belmiro)
Lotação16068
Medidas105x68
Inauguração1916
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